terça-feira, 11 de agosto de 2009

Artes Visuais *3

Continuando a leitura... sobre modos de ver a arte.
Segunto a autora, ao observar pinturas é interessante atentar para quatro pontos:

"
- Indagar a finalidade de um pintura;
- Indagar o que elas nos dizem a respeito das culturas em que foram produzidas;
- Procurar avaliar até que ponto elas são realistas;
- Analisar em termos de contrução - ou seja, o modo como formas e cores são usadas para produzir padrões dentro do quadro.

A análise formal da construção de uma pintura frequentemente nos ajuda a compreender melhor seu significado a que o artista recorre para obter os efeitos desejados."


Neste capítulo quatro quadros foram analisados. A interpretação que mais me fascinou foi essa: (A autora estava analisando a finalidade da pintura)

" Bronzino retratou a deusa pagã do amor, Vênus, sendo beijada de modo eroticamente sugestivo por seu filho, Cupido, o menino alado. À direita do grupo central vemos um garotinho sorridente que, segundo um estudioso, representa o Prazer. Atrás dele está uma estranha jovem de verde, cujo corpo, notamos supreendidos. emerge de sob o vestido na forma de uma serpente esroscada. É provável que ela represente a Astúcia, uma qualidade desagradável - amável e sedutora na parte de cima e repulsiva sob a superfície - que frequentemente acompanha o amor. A esquerda do grupo central, vê-se uma velha megera arrepelando os cabelos.

É o Ciúme, essa combinação de inveja e desespero que também acompanha muitas vezes o amor. Ao alto vemos duas figuras erguendo a cortina que, aparentemente, cobria a cena. O homem é o Pai Tempo, alado, sustentando sobre o ombro sua simbólica ampulheta. É o Tempo que revela as complicações que assediam o tipo de amor lascivo aqui mostrado. A mulher defronte a ela, no alto, à esquerda, é - ao que tudo indica - a Verdade; ela desvenda a difícil e perigosa combinação de terrores e alegrias, inseparáveis das dádivas de Vênus. (...)



Portanto, o quadro transmite uma máxima moral: o ciúme e a astúcia podem ser companheiros tão inseparáveis do amor quanto o prazer. Contudo, essa máxima não é transmitida de modo simples e direto. (...) A intenção desse quadro não foi contar claramente uma história para pessoas incultas ou anafalfabetas, mas despertar a curiosidade e, em certa medida, provocar um público muito esclarecido e culto. (...) Portanto, era uma pintura destinada divertimento e edificação de um grupo restrito de pessoas cultas."

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